Bartolomeu foi muito mais do que um escritor. Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG), cidade pequena com gosto de "laranja serra-d'água", no interior de Minas Gerais, antes de se instalar em Belo Horizonte, onde reside e trabalha.
Seu interesse pela literatura e pelo ensino da arte o fez viajar muito por este país. Conhece as cidades apreciando azulejos e casas pacientemente - um andarilho atento a cores, cheiros, sabores e sentidos que rodeiam as pessoas do lugar, com o mesmo encanto na alma com que observava os rios da Amazônia, dos quais costuma sentir saudades em Minas.
Bartolomeu dizia ter fôlego de gato, o que lhe permitiu nascer e morrer várias vezes. "Sou frágil o suficiente para uma palavra me machucar, como sou forte o suficiente para uma palavra me ressuscitar."
Em seus textos, os fatos não aparecem acabados e, por isso, liberdade e imaginação convidam o leitor a participar efetiva e afetivamente.
Com mais de 40 livros publicados (alguns deles traduzidos para inglês, espanhol e dinamarquês), formou-se em educação e artes, e criou-se como humanista. Estudioso da filosofia e da estética, utilizou a arte como parte integrante do processo educativo. Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil como o ProLer e o Biblioteca Nacional, dando conferências e seminários para professores de leitura e literatura. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Cultura, ambos em Minas Gerais, sendo também muito convidado para participar de júris e comissões de salões, além de curadorias e museografias.
Idealizou o Movimento por um Brasil Literário , do qual participava ativamente. Por suas realizações, Bartolomeu colecionou medalhas: Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (França), Medalha Rosa Branca (Cuba), Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais). Recebeu, ainda, láureas literárias importantes, como Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil/Juvenil pela APCA, Jabuti, FNLIJ e Academia Brasileira de Letras. Faleceu em 16 de janeiro de 2012.
"Bartolomeu não existiu. Ou, podemos dizer: já não há mais ninguém como Bartolomeu. Discordo.Ele existe, definitivamente, e não tem nada deste negócio saudosista de dizer que já fomos melhores. Estamos vindo por aí, bons e maus, doces e amargos, tristes e alegres. O Bartolomeu e poeta, nasceu com alma de poeta, o que o salvou. Ele é um homem generoso, que transformou suas dores em esperanças e afeto. e faz livros para crianças."
(Ziraldo)